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06
out
09

And shes buying a stairway to heaven.

Eu só quero sair deste mundo,

porque todo mundo está com o coração envenenado.

Estou descendo pela rua, tentando esquecer o dia de ontem…

Estou preso em um sonho.

Começando com alguns trechos traduzidos, da melhor música que eu pude ouvir no dia de hoje.

Eu tento sorrir, mas não me vem animo.

Eu tento chorar, mas minha cabeça já está doendo.

Eu tento ver algo em meu futuro, mas só há trevas para onde eu olho.

Eu sou uma pessoa de bem. Sou bom. Sei disso.
Eu me importo mais com os outros do que comigo mesmo. Minha vida não tem pecados graves, não
há mentiras em minhas palavras, e eu sempre dei o máximo que eu pude de mim para fazer aqueles a minha
volta sorrirem.

Sério, a primeira frase, do corpo desta mensagem, representa meu estado de espirito atual.
Me diga, de que adianta, nós andarmos na linha, vivermos cada dia, se somente nós é que agimos pelo lado ideal.
Enquanto, quem nós acreditamos, mostra-se que não é digno de crédito.

Eu queria ser um astro do rock.
Queria ser um baterista.
Queria ser famoso. Queria poder rodar o mundo tocando junto de uma banda de Punk.
Queria ser como Marky Ramone.

Eu também queria ter super poderes.
Queria entrar em lutas e ficar mais forte.
Queria poder voar pelos céus e me teletransportar por longas distâncias.
Eu queria ser como o Goku.

Eu queria ser um grande escritor.
Queria que os muitos romances que eu escrevo, fossem lidos por milhares de
pessoas. Eu queria que meu trabalho fosse divulgado em âmbito mundial.
Eu queria ser como George Orwell.

A vida é uma gozadora. Ela te enche de esperanças de um futuro, te faz acreditar que tudo irá caminhar para um final feliz,
mas, quando você realmente acha que está perto disso, ela lhe puxa o tapete.
Você cai de bunda no chão e a vida ri da sua cara.

Eu lutei cada dia da minha vida. Acreditava que, quando chegasse na idade que estou, seria um renomado profissional,
ganhando um bom salário e trabalhando naquilo que eu gosto. Mas este foi apenas outro soco que levei da vida.

Hoje corro com lagrimas nos olhos. Talvez, eu iria rir mais, rir melhor, se eu tivesse mais dinheiro.

Ou não.

As vezes, quando você olha para o olho da tormenta, e ele te olha de volta, você vê que fez besteira.
Você vê que deveria ter deixado como estava, vê que não valeu a pena cavar o buraco e desenterrar o cadaver.

Como diria Chorão, eu vou mudar tudo o que não me convém. Mas, isso não é fácil.
Não sou um poeta, não sou um escritor, não sou nem uma sombra do que eu queria ser.

Eu queria poder ir para o espaço, sentir o corpo na gravidade zero e flutuar atoa, como flutuam as aguas vivas no oceano.

Chorão disse, um homem de verdade não se faz só com palavras.
Falhei.
E não Pasquilhei.

Agora, arrasto esta carcaça velha, que um dia já chamei de corpo, levo ela para outros lugares, para o trabalho, para a
faculdade, o bar do outro lado da esquina, onde compro meu almoço.

Sitting here with nothin to do,
(sentado aqui, sem nada pra fazer)
Sitting here thinkin only of you,
(sentado aqui pensando apenas em você)
But youll never get out of there,
(mas você nunca sai de lá)
She will never get out of there.
(Ela nunca sai de lá).
When I saw her, on the corner, she told me, told me, told me, told me,
(Quando eu a vejo, na esquina, ela me disse, me disse, me disse)
She wouldnt go far ooh, now I know Im so much in love,
(Ela não se foi, e agora eu sei, eu estou amando muito)
cause shes the only girl, that Im ever thinking of.
(Porque ela é a única garota que eu estou sempre pensado)

É impressionanta como Joey, Dee Dee, Marky e Jonny Ramone sabiam se expressar.
É assustadoramente impressionante.

Eu fazia parte de um todo, agora fasso parte de uma parcela.

Eu era alguem com um propósito.

Eu vi pessoas desafiarem Deus, e se arrependerem disso.
Eu vi gente fazendo pedidos da boca pra fora, e vi eles serem atendido.

O que havia antes do nada? Antes de Deus ser Deus, antes do universo ser criado pela infinita sabedoria do Senhor,
Deus sempre existiu? Ele é atemporal, é divino, e, ao que tudo indica, sempre esteve lá.

Hoje eu questiono meus atos.
Hoje eu penso se fiz o correto.
Se minha dedicação levou a algum conceito,
e se valeu a pena viver cada dia deste maravilhoso periodo.

O que é bom sempre acaba.
Mas aqueles dias foram como uma festa, em que você nunca quer ir embora pra casa.
Quer sempre ficar mais um pouco, aproveitar cada minuto e ser o ultimo a deixar o salão.

Eu queria fechar as cortinas. Varrer o chão e guardar a louça.
Eu queria ser sagrado. Eu queria ser forte, Eu queria ser imortal.
Eu queria ver como será o mundo daqui há 10.000 anos.

Hoje eu não acordei feliz.
Essa noite foi a pior de minha vida.
Hoje eu percebo o quanto isso doi.

Meus caros amigos.
Amo vocês, e, vocês realmente fizeram a diferença.

O crepusculo de hoje não terá o mesmo sabor do crepusculo de ontem .

Bahamute.

06
fev
09

Convivência Forçada – Conclusão -

Já fazia um tempo que queria postar a conclusão desse conto, mas com alguns trabalhos em andamento, isso tornou-se impossivel.

A espera até que maturou o texto! Confiram aí, como termina as desventuras desse trio inusitado!

Second Impact

- Eu nem sei direito o que eles disseram. Eu entendi apenas algo sobre um mercado, escravos e grandes touros, tauros, algo assim.

Mas na verdade, eu estava mais preocupado era com meu pai. Ele não foi trazido pra cá como nós, ele já foi levado direito. Meu pai é muito velho, pescador de longa data. Estou realmente preocupado.

Eu gostaria de poder estar lá com ele, onde quer que esteja, mas, minha cabeça ta doendo pra caramba. Eu não sou de comer muito, mas também não tava acostumado a comer esses bifes quase estragados, apenas uma vez ao dia. – Lamentou-se Sandro, enquanto fitava os raios de sol trazidos pela única janela do lugar, que se encontrava numa cela vazia, a frente dele, e ao lado de Thöraell –

- Eu não tenho mais esperanças de ver meu irmão, acho que você deveria esquecer teu pai também. Pô, já estamos a mais de um mês aqui. Já vi tantos indivíduos entrarem e saírem, que até perdi as contas. – resmungou Thöraell –

- É um saco. Minha barba ta tão grande quanto a de um anão – reclamou Lo’thar –

- Eu andei pensando. Repararam que, o buraco onde defecamos vai para algum lugar? Ele é totalmente fundo, e eu acho que se tirar um pouco de paralelepípedos de sua volta, posso entrar nele – Disse Sandro –

- E onde você acha que essa merda toda vai desembocar? – Perguntou Lo’thar, enquanto se levantava pra apoiar-se em sua grade, tentando visualizar Sandro, na cela ao lado –

- Talvez no mar, ou em algum rio. Eu sei nadar, então, acho que posso sair daqui.

- Você pode, nós não, olha o tamanho do meu peitoral, meus ombros nunca vão passar por aqui. – Lamentou Thöraell –

- Eu dou a volta, pego vocês – respondeu Sandro –

- Duvido que tu volte, assim que ver a liberdade, e os piratas, vai fugir daqui. Mas, tu fez uma coisa boa – disse Lo’thar, enquanto ia em direção ao buraco de sua cela – Eu posso alargar o meu buraco. Thöraell, fica olhando se vem alguém. Me avisa, que quando eu terminar, eu vigio pra ti!

- Combinado – concordou Thöraell, balançando a cabeça –

Lo’thar e Sandro, consecutivamente, começaram a tentar retirar as pedras. Lo’thar era forte, e retirou os paralelepípedos com facilidade, alargando a borda de forma suficiente para que ele passasse. Sandro, mais fraco, tinha sérias dificuldades, e precisou do dobro de tempo de Lo’thar para realizar a tarefa.

Quando Lo’thar terminou, acenou para Thöraell e esse começou a alargar seu buraco. Cerca de uma hora depois, para a sorte do trio, nenhum pirata veio trazer novos prisioneiros, e como o calabouço contava apenas com os três indivíduos, eles puderam trabalhar em paz. Com os buracos devidamente alargados, Sandro entrou primeiro no de sua cela, Lo’thar e Thöraell entraram praticamente juntos.

Como Sandro previu, os três buracos desembocavam em um sofisticado sistema de esgotos, terminando em um duto enorme, onde podia-se ver uma luz em uma das extremidades, e na outra ponta, o desembocadouro de mais sanitários, provavelmente vindo de cima do calabouço onde eles estavam.

O fedor de fezes era nauseante, uma grossa neblina gasosa tomava conta do lugar, e por vezes, Sandro parou para vomitar.

- Fica firme, magrelo! Demos sorte de sairmos os três juntos, assim podemos nos ajudar, não vai desmaiar aqui, é só merda! – Disse Lo’thar –

- Nunca tive tanto nojo na minha vida – rebateu Sandro –

- Idem – reiterou Thöraell –

Enquanto os três caminhavam, iam conversando a vozes baixas

- Eu vou voltar pra tentar resgatar meu pai.

- Eu pretendo encontrar meu irmão

- Quero que meu primo se foda. Vou sair daqui o mais rápido possível – Concluiu Lo’thar -

- Não esperaria menos de um Orc. – Disse Sandro – Selvagens como vocês, ouvi dizer que membros de sua raça comem elfos! –

- Cara, como vocês podem? Quero dizer, comer elfos? Katarinna me livre! –

- Não são todos os orcs que fazem isso, quero dizer, isso acontecia mais no passado. E alias, quem são vocês dois pra julgar? Não comem animais? É a mesma merda! – rebateu Lo’thar –

- Eu não como nada mais inteligente do que eu! – Refutou Thöraell –

- Então você não deve comer muita coisa – rebateu Sandro –

- Toma cuidado, não tem mais uma grade entre nós – Retrucou Thöraell –

- Quietas, moças! Chegamos ao final do túnel – disse Lo’thar –

Ao olharem para fora, puderam ver o oceano, onde o esgoto despejava. Saíram os três, limparam-se nas águas salgadas, e voltaram seus olhos para traz.

Era uma cidade incrível. Gigantescos prédios de arquitetura invejável. Feitos em única peça. Parecia até terem sido esculpidos direto de grandes rochas.

Os três trataram de se esconder, a fim de evitar novamente seus captores.

Viram que atrás deles estava o mar, e a frente, uma cidade de arquitetura bela. Com grandes pilastras e estatuas espalhadas por todos os lugares.

Foi Thöraell que alertou sobre os moradores. Criaturas estranhas, nunca antes vistas em Salamifera. Era obvio que eles não estavam mais em seu continente. Eram criaturas grandes, do tamanho de ogros, peludos, e com cabeças de touro. Minotauros. Exclamou Sandro, por já ter ouvido falar de tais criaturas.

- Cacete! Onde a gente ta? – Perguntou Thöraell –

- Merda. Quando eu freqüentava a escola de minha igreja, ouvi falar deles. Agora tudo faz sentido – reiterou Sandro -

- O que são eles? – perguntou Lo’thar –

- Como eu disse, Minotauros. Uma raça inteligente, amante de combate, labirintos e quebra cabeças. Notem que, não existem seres femininos dessa espécie. Eles tem de procriar com elfas ou humanas para gerar filhos.

- Porque estamos aqui, então? – perguntou Thöraell –

- Os piratas, devem ter nos trazido para vender-nos como escravos. Minotauros empregam e muito escravos de ambos os sexos. Mulheres são vendidas pra haréns, e homens, como mão de obra –

- Isso é ruim em níveis alarmantes. Como vamos sair daqui. Nem sabemos ONDE é aqui! – disse Thöraell –

- Vamos arrumar um barco, capturamos um dos piratas e o obrigamos a nos levar de volta – Disse Lo’thar –

- Claro, como se fossemos guerreiros, ou fortes o suficiente pra isso – Disse Sandro –

- Tolos. Vocês dois são pescadores. Eu nunca disse qual era minha profissão antes daqui – Disse Lo’thar, enquanto olhava a sua volta procurando algo – Eu ganhava dinheiro na Arena da Glória de Fenda do Norte – Bradou enquanto pegava um galho, grosso o suficiente para servir de porrete –

- Sua bixa! E como você pôde ser capturado? – perguntou Thöraell –

- Números, meu filho. Sou forte, mas não sou dez –

Os três, com o suposto plano em mente, ficaram ali a procura de um pirata, mas, estúpidos como era de se esperar, não obtiveram sucesso na missão.

Eles até capturaram um bucaneiro, obrigaram ele a oferecem um bote, mas o mesmo, aproveitou-se de um descuido do trio e fugiu entregando os três. Presos novamente, na angustiante cela de dois metros quadrados, onde os ombros de Thöraell quase tocavam as duas paredes, começaram a planejar a nova fuga, agora que barras de ferro tampavam o sanitário do local.

E Sandro, que era o mais educado, por ter freqüentado uma escola de sua igreja durante toda a sua infância, tentava planejar novas rotas de fuga.

Thöraell clamava por Katarinna todas as noites, na esperança de sua deusa ter pena dele e resgatá-lo.

Lo’thar passou os meses seguintes tentando romper as barras de ferro do buraco.

O futuro deles? Foi descobrir que eles não foram aceitos pelos Minotauros, devido as peculiaridades de cada um. Um humano franzino, catequizado. Um troll estúpido, e nada forte, comparado a seu irmão. E um Orc Guerreiro, que poderia trazer problemas se fosse empregado como escravo.

Os três ficaram presos lá. Até os piratas notarem que eles estavam dando prejuízo. E não valeria nem a bala da pistola. Foram abandonados em alto mar, dentro de um bote, velho o suficiente para não agüentar navegar ate a costa.

Um orc, um humano e um troll. Quase não cabiam no barco, e ficaram a deriva, até suas sortes mudarem.

11
jan
09

Convivência Forçada

Este é um conto que desenvolvi no final do ano passado, e que foi postado originalmente no Forum da Spell RPG.

Ele é totalmente ambientado em Salamifera, e passa um pouco da ideia de ambientação do cenário. Como os costumes e dia-a-dia dos habitantes do cenário KA-OS.

O conto é dividido em duas partes, posto a primeira parte hoje, e no futuro, a segunda.

Espero que gostem!

Convivência Forçada

Eu estava pescando, quando vi o navio pirata se aproximar…

Nunca nem tinha me preocupado com piratas, eles não são comuns nas praias de Rackarackk. Achava que eles singravam apenas os mares de Fenda do Norte e nada mais.

Que dedução idiota. Piratas são piratas, não? Quero dizer, eles singram os sete mares, estão em toda parte, não somente em uma praia, de um reino. Se não, não seriam piratas.

No barco estava apenas eu e meu irmão, Ermmaell, tinha um APGS dos trollers tocando, e achávamos que seria mais uma tarde gostosa de pesca, ouvindo musica boa, bebendo cerveja e fisgando alguns paracurus, para comermos a noite.

Doce ilusão. Não sou o troll mais inteligente, mas pude deduzir que aquilo ali não seria nada bom. Talvez teria sido, se fossem Orcs ou Elfos no navio, mas não eram. Quando o navio aproximou-se do nosso barquinho de pesca, ouvimos o brado lá do alto, e um barbudo nos olhou lá de cima.

Humanos são imprestáveis, poluentes e irritantes. Acho que os únicos que vieram prestar um dia foram Joey e Jonny.

Eles nos obrigaram a subir no barco. Na ocasião, eu tava vestido apenas com bermudas e uma camisa de algodão sem mangas, na cabeça, apenas um chapéu de palha para me proteger do sol. Ermmaell estava quase como eu, excetuando que, o estúpido, calçava botas e eu estava descalço. Quem vai pescar em alto mar de botas? Os pés nem podem respirar embaixo de todo aquele couro!

Quando cheguei ao convés, notei que a tripulação era composta totalmente por humanos, dos mais variados, altos, baixos, gordos e magros. Todos imundos e feios. Comecei a pedir proteção para Katarinna naquele momento, meu irmão, não proliferara uma palavra, parecia estar em choque.

Somos trolls, mas, não somos guerreiros, quero dizer, somos mais fortes do que muitos daqueles humanos fedidos que estavam ali, mas, mesmo assim, nunca fomos de combater. Poxa, morávamos em uma vila pesqueira, acredito eu que o maior perigo de minha vida, eu corri quando dois gorous tentaram invadir a vila. E olha que Rorckkararr, o prefeito – e único guerreiro da vila – rechaçou os dois sem precisar de ajuda.

Aqueles comedores de pólvora! Que maldição vir piratear em nossa praia! Amaldiçôo eles e quero que Katarinna os atire no fosso da dor! Felizmente, estava com meu anzol da sorte, e tomei o cuidado de subir com minha vara no navio pirata. Nem quero imaginar o que seria de nós, se não estivesse com meu amuleto…

Os piratas nos levaram para a parte debaixo do navio, aquela que eles dormem, e guardam os alimentos. Ah, se eu soubesse o nome do lugar, te contaria, mas não sei. Você sabe, o nome, mas eu não.

Enfim, após uns 3 ou 4 dias de viajem, chegamos aqui – Disse Thöraell, debruçado na grade de sua cela –

- E por que eles trocaram tua roupa? Quero dizer, não tiveram o mesmo cuidado comigo ou meu primo – Perguntou o Orc, na cela a frente –

- Sei lá. Acho que gostaram da minha roupa. Só sei que ta um frio dos diabos aqui. Essas calças que eles deram não adiantam nada, e tem mais buracos do que a vela do meu barco. – Respondeu Thöraell, que estava com seu peitoral verde exposto, e seus cabelos amarrados em um rabo de cavalo –

- Teu irmão ta em qual cela? – Perguntou o Orc –

- Sinceramente, não sei.

- Então acho que ele já foi.

- Foi pra onde?

- Olha, antes de você chegar, tinha duas elfas na tua cela, elas foram levadas e nunca mais voltaram, meu primo, foi levado no segundo dia, mas eu já estou aqui há uma semana. – Respondeu o Orc –

- Mas que filhos de um anão! Espero que Ermaell esteja bem!

- Como tu chama?

- Thöraell, e você?

- Lo’thar – Disse o Orc, enquanto prendia seus cabelos num rabo de cavalo –

- E o que você fazia quando os comedores de pólvora te pegaram?

- Eu? Estava em uma embarcação que ia de Fenda do Norte para Rackarackk. Tava indo, inclusive pra capital do teu reino.

- Pra que?

- Meu pai mora lá, e eu fiquei sabendo que Billy Aidol ia tocar no Pub do Tio Punk.

- Putz. Só mesmo um Orc pra gostar das musicas daquele boiola.

- Pelo menos, eu não ouço musicas cantadas por humanos – Rebateu Lo’thar –

- Os Trollers não são só humanos. Você sabe disso –

- Bela bosta. Metade da banda é composta por eles.

- É? Pelo que eu sei, teu músico não tem um passado muito bom…

- Que passado? Como se vocês entendessem alguma coisa, não é mesmo? Tua raça é estúpida pra caramba!

- Vocês não são os mais brilhantes pensadores. São só uns verdinhos complexados, imitando os ogros.

Um barulho de porta abrindo cessou a troca de farpas por um momento. Um dos piratas estava descendo as escadas para o calabouço, trazendo consigo um humano preso por algemas. Ele colocou o humano na cela ao lado de Lo’thar.

Após retirar as algemas do humano, jogou-o com violência dentro da cela, trancou-a e saiu do lugar. Nem Lo’thar, nem Thöraell, proferiram uma palavra, apenas observaram.

O humano aparentava ser um camponês, magrelo, cabelos compridos e barba por fazer. Estava bastante abatido.

- Ô novato! – chamou Thöraell –

- Novato? Tu também chegou aqui hoje, criatura! – retrucou Lo’thar –

- Quieto! – respondeu Thöraell – Ô novato, tu veio de onde?

- Eu? De Sandorian. – Respondeu o humano, levantando-se e recompondo-se –

- Qual teu nome? – Perguntou Lo’thar –

- Sandro, e vocês? – Perguntou, debruçando nas grades da cela, assim como Lo’thar e Thöraell, para poder ter uma visão e audição melhor –

- Eu sou Thöraell, e o orc ao seu lado é Lo’thar. Te pegaram por que?

- Sei lá. Tava pescando em alto mar, junto de meu pai. Tínhamos acabado de comprar o barco, e os malditos nos abordaram. Viajei durante uns 5 dias, de Sandorian até aqui.

- To vendo um padrão nisso – respondeu Thöraell –

- E desde quando você tem inteligência o suficiente pra analisar padrões? – respondeu Lo’thar –

- Não sou tão estúpido quanto a maioria dos Trolls, nem todos somos burros como os desmiolados de sua espécie –

- Acho difícil de acreditar – intrometeu-se Sandro – Trolls geralmente são tão inteligentes quanto um cavalo.

- É? Somos tão fortes quanto, e eu te provaria se tivesse aí –

- Olha, não quero arrumar briga, só quis opinar – refutou Sandro –

E como era de se esperar, os três prisioneiros, por serem indivíduos de raças tão distintas, discutiram durante toda a noite. Semanas se passaram, novos prisioneiros foram trazidos e levados, mas os três ficaram ali. Alimentados apenas uma vez por dia, com Carne de galotauro e água.

Eles planejaram diversas fugas, foram frustrados em todas, e sempre que argumentavam com os carcereiros, sobre o porque deles estarem ali, tinham o silencio como resposta.

A maior tortura? Não era ser alimentado uma vez por dia, nem ficar o dia e a noite preso numa cela de dois metros quadrados, sem cama e com um único buraco para as necessidades. Mas sim, ter de conviverem juntos, um troll, um orc e um humano.




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